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Lesão de menisco: quando é preciso operar?
Nem toda lesão de menisco precisa de cirurgia. Saiba como é feita a avaliação e por que preservar o menisco importa.
O que são os meniscos
Cada joelho tem dois meniscos: o medial, na parte interna, e o lateral, na parte externa. São estruturas de fibrocartilagem em forma de meia-lua, posicionadas entre o fêmur e a tíbia.
Os meniscos funcionam como amortecedores: distribuem a carga do peso do corpo, protegem a cartilagem e ajudam na estabilidade do joelho. Por isso, sempre que possível, o objetivo do tratamento é preservá-los.
Dois tipos principais de lesão
As lesões traumáticas costumam acontecer em pessoas mais jovens e ativas, durante uma torção com o pé apoiado no chão, como em esportes de giro. Muitas vezes estão associadas à lesão do ligamento cruzado anterior (LCA).
As lesões degenerativas aparecem com mais frequência a partir dos 40 ou 50 anos, como parte do envelhecimento natural do tecido, e podem surgir com movimentos simples, como agachar. Elas frequentemente acompanham sinais iniciais de artrose. Essa diferença é fundamental, porque o tratamento costuma ser bem diferente em cada caso.
Sintomas mais comuns
Os sinais que levantam suspeita de lesão de menisco incluem:
- Dor na linha da articulação, na parte interna ou externa do joelho
- Inchaço após atividade ou após uma torção
- Dor ao agachar ou girar o corpo com o pé apoiado
- Travamento ou bloqueio do joelho, com dificuldade de esticar a perna
- Sensação de algo “preso” ou estalando dentro da articulação
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa pela consulta: como os sintomas surgiram, o que piora e se há episódios de travamento. No exame físico, testes específicos ajudam a localizar a lesão.
A ressonância magnética mostra o tipo, a localização e a extensão da lesão. Vale saber que, a partir de certa idade, é comum encontrar alterações degenerativas no menisco mesmo em pessoas sem dor. Por isso, o resultado do exame é sempre interpretado junto com os sintomas e o exame físico.
Quando o tratamento é sem cirurgia
A maioria das lesões degenerativas, sem travamento verdadeiro, é tratada inicialmente sem cirurgia. O tratamento inclui fisioterapia com fortalecimento muscular, ajuste de atividades, controle de peso e medicamentos orientados para dor. Em alguns casos, infiltrações podem ser consideradas.
Estudos mostram que, nesse grupo de pacientes, a fisioterapia bem conduzida costuma ter resultados semelhantes aos da cirurgia para retirada do menisco. Por isso, a cirurgia não é a primeira opção para a maioria das lesões degenerativas.
Quando a cirurgia é indicada
A cirurgia por vídeo (artroscopia) costuma ser considerada nas seguintes situações:
- Joelho travado, que não estica, por um fragmento de menisco deslocado
- Lesões traumáticas em pacientes jovens, com bom potencial de cicatrização
- Lesões da raiz do menisco, que comprometem sua função
- Lesões associadas à ruptura do LCA
- Sintomas mecânicos que persistem após o tratamento conservador
Reparo ou retirada: por que isso importa
Na cirurgia, há dois caminhos principais. No reparo meniscal, o menisco é suturado para que cicatrize e continue exercendo sua função. Na meniscectomia parcial, apenas o fragmento lesionado e sem condições de cicatrizar é retirado, preservando o máximo possível de tecido.
Sempre que a lesão permite, o reparo é preferível, porque a perda de menisco aumenta a sobrecarga sobre a cartilagem e o risco de artrose no futuro. Em contrapartida, a recuperação do reparo é mais longa: costuma exigir algumas semanas de proteção do apoio e da flexão do joelho, e o retorno ao esporte acontece de forma progressiva, em geral após alguns meses, dependendo da lesão e da evolução.
O que fazer enquanto aguarda a avaliação
Se você suspeita de uma lesão de menisco, reduza atividades de impacto, giro e agachamento profundo até a consulta. Gelo por períodos curtos e elevação da perna podem ajudar a controlar o inchaço.
Evite automedicação prolongada e não force o joelho caso ele esteja travado: tentar “destravar” com movimentos bruscos pode piorar a lesão. Anote quando os sintomas começaram, o que piora a dor e se houve episódios de travamento; essas informações ajudam muito na consulta.
Quando procurar um especialista
Procure avaliação se o joelho travou, se você teve uma torção seguida de inchaço, ou se a dor na linha da articulação persiste por algumas semanas. Em lesões traumáticas reparáveis, o tempo até o tratamento pode influenciar a possibilidade de sutura do menisco.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
As informações têm caráter educativo e não substituem a consulta.